Em que fase está sua escrita científica?

Não, não é sobre em que seção do artigo você está trabalhando… é sobre o quanto você realmente domina a escrita científica.

As 4 etapas do aprendizado são uma forma de perceber a relação entre o quanto você sabe que sabe e o quanto você realmente sabe sobre algo.

Dito de um modo mais geral, são uma forma de entender a relação entre a consciência (ou não) de possuir (ou não) um conhecimento.   O diagrama abaixo apresenta estas etapas.

É um conceito bem interessante por nos lembrar de que existe uma zona cega.

Antes de aprender qualquer coisa, de qualquer área, há muito o que nós não sabemos que não sabemos.

Então, o tema é esta primeira condição que antecede todo o aprendizado: o não saber que não se sabe.

O problema do “não sei que não sei” nem é tanto a ignorância sobre o próprio desconhecimento, é a pretensão de achar que se sabe, quando, na verdade… não, não se sabe.

Isto vale para tudo, da ciência à cozinha.

Por exemplo, na primeira vez que fui fazer um quiche (aquele tipo de empada aberta), eu tinha uma receita super simples, meia dúzia de passos, só. E lá fui eu, iludida, sem ter a menor ideia de que o passo “abra a massa” demandava tanto esforço.

Eu achava que era só usar o rolo de macarrão, coisa de uns 5 minutos, no máximo.

Quarenta e cinco minutos depois e com os braços até doces de tanto tentar esticar a massa, pus o recheio no quiche ainda lutando para a massa não encolher.

No final deu certo, ficou bem gostoso. No entanto, só depois de fazer o quiche foi que eu descobri o trabalho que dá.

Com a escrita científica, acontece algo semelhante. Só escrevendo é possível aprender tudo o que está envolvido no processo de escrita.

E diferentemente da cozinha, em que tudo é muito palpável e você vê e sente a massa esticando e encolhendo o tempo todo, no processo de escrita, tudo é conceitual.

Isto significa que os problemas nem sempre tão visíveis, embora você sinta a dor do esforço. Achando que sabemos tudo, muitas vezes ficamos emperrados com algo – uma revisão, as citações, a discussão, a própria motivação – batalhando, batalhando e sem entender porque não progredimos, sendo que, na verdade, não sabemos o que pensávamos saber.

Muito da habilidade de escrita científica vem de dominar conceitos aparentemente básicos como conhecer o valor do seu trabalho. Outro aspecto que parece muito simples mas esconde um vasto conteúdo é como comunicar com clareza.

Quando leio isto, também fico pensando que parece muito básico e simples, não é? Claro que sei o valor do meu trabalho! Claro que tenho clareza! Porém, é como abrir a massa. A gente acha que sabe, mas na verdade… precisa aprender.

Então, da próxima vez em que você estiver batalhando com sua escrita com algo que não sai do lugar, pergunte-se quais são as suas premissas, quais são as suas ideias a respeito do que você está fazendo e como estas ideias estão ligadas ao seu objetivo de pesquisa e ao grande objetivo da ciência.

Este é um ponto essencial: tenha muita clareza do seu objetivo e do quanto ele deve ser científico e do quanto sua escrita precisa demonstrar o valor de seu estudo!! Depois, é só evoluir e passar de fase…!

Como andam os diversos aspectos de sua escrita científica? Em que fase do aprendizado eles estão? Sempre há algo que precisamos aprender ou melhorar!!!

Então, veja aqui uma descrição simples e breve de cada fase do aprendizado / estágio de competência.

1. Incompetência Inconsciente – eu não sei que não tenho esta habilidade / não sei que preciso aprendê-la.

2. Incompetência Consciente – eu sei que não  tenho esta habilidade, mas estou consciente que preciso aprendê-la.

3. Competência Consciente – eu já aprendi e sei que tenho um bom domínio desta habilidade.

4. Competência Inconsciente – eu tenho tanta habilidade e experiência que já faço automaticamente, sem nem precisar pensar, já nem sei que sei.

Bora buscar a competência inconsciente na escrita?

Um abraço,

Nilce.


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