No dia 4 de novembro, celebra-se o dia do inventor.

Então, nada mais justo do que celebrar nosso maior inventor, Alberto Santos Dumont, pai da aviação. Trago aqui um pouco da história dele e de seu maior invento, o 14 Bis, cujo nome hoje soa quase poético, mas que tem uma origem bastante prática.
Alberto Santos Dumont nasceu em 1873 na localidade de Cabangu (hoje município de Santos Dumont) em Minas Gerais, filho de Francisca de Paula Santos e Henrique Dumont, engenheiro formado pela Escola Central de Artes e Manufaturas de Paris e próspero cafeicultor. Em 1892, aos 19 anos de idade, emancipado pelo pai e de posse de sua parte da herança, Santos Dumont foi estudar em Paris já fascinado pela ideia de construir um equipamento de voo. Na época, entre os anos 1890 e início dos anos 1900, os balões eram a única maneira de voar. No entanto, o rumo de um voo de balões dependia da direção dos ventos, balões não eram dirigíveis.
Inventados muito antes, em 1709, (também por um brasileiro, Padre Bartolomeu de Gusmão) os balões vinham sendo largamente estudados, mas mesmo assim, no início do século XX, a dirigibilidade ainda parecia sem solução.

Em março de 1898, Santos Dumont fez seu primeiro voo num balão da firma Lachambre & Machuron. Logo depois disto, Santos Dumont idealizou um novo balão, o Brasil, construído por esta mesma firma alguns meses depois. Em maio de 1898, o Brasil levantou voo. Era o menor balão da época com apenas 6m de diâmetro e usava seda japonesa para torna-lo mais leve: pesava apenas 27,5 kg. Com o Brasil, Santos Dumont fez mais de 200 voos, mas o balão ainda não era dirigível.
Depois do Brasil, Santos Dumont ainda projetou alguns outros balões antes de começar uma série de dirigíveis, identificados por números.
O N°1 foi o primeiro balão desenhado por Santos Dumont para ser controlado através de uma hélice movida por um motor a gasolina. O aparelho decolou pela primeira vez ainda em 1898, mas acabou rasgando antes de realizar alguma manobra. Foi reconstruído e voltou a voar dois dias depois, mas caiu por um problema com a bomba de ar que inflava o balão, num acidente que por pouco não foi fatal.
N°2 não teve uma experiência muito feliz. Uma chuva e a temperatura fria tornaram o balão pesado e ele acabou se dobrando e se chocando com as árvores.



Por conta disto, o projeto do dirigível N°3 foi distinto, o balão possuía um formato menos alongado para evitar que se dobrasse bem como usava gás de iluminação, que era mais barato e apresentava um risco menor de explosão. Em 13 de novembro de 1899 Santos Dumont deu a volta na Torre Eiffel com o N°3, num voo totalmente controlado.
Em março de 1900, o milionário Henri Deutsch propôs um prêmio de 100 mil francos para quem inventasse uma máquina voadora eficiente. Esta máquina deveria poder se deslocar à Torre Eiffel, contorna-la e retornar ao local da decolagem em até trinta minutos. Aqui, a velocidade importava.

Santos Dumont trabalhou nos dirigíveis N°4, 5 e 6 neste intuito.
No dia 19 de outubro de 1901, com o balão N°6, Santos Dumont executou a prova em 29 minutos e 30 segundos.
E o que Santos Dumont fez com o prêmio? Antes de realizar o voo, Santos Dumont já havia anunciado que se viesse a ganhar, doaria uma parte para seus mecânicos e outra parte à Prefeitura de Paris para que fosse distribuída entre os operários desempregados da cidade que haviam empenhado suas ferramentas de trabalho. E assim o fez.
“Cerca de 4 mil trabalhadores receberam 20 francos cada um, enquanto uma soma foi destinada a resgatar ferramentas de trabalho que tinham sido penhoradas pelos desempregados”. [1]
Santos Dumont ainda projetou e construiu diversos outros dirigíveis, (7,8,9,10,13) um monoplano (11) e um helicóptero (12) antes de fazer o dirigível N°14.
Neste ponto Santos Dumont estava já convencido de que era necessário inventar um aeroplano que fosse autônomo no voo. Criou então um aeroplano acoplado ao balão do dirigível 14 para facilitar a decolagem. Daí o nome: 14 Bis.

Após alguns testes, Santos Dumont se convenceu que o modelo híbrido não seria bom e foi aprimorando o aeroplano 14 Bis em testes sucessivos. Em 23 de outubro de 1906, o 14-Bis decolou e percorreu 75 m numa altura de cerca de 3 m. Pela primeira vez na história, um aparelho mais pesado que o ar conseguia realizar um voo completo, decolando, voando e pousando sem nenhuma necessidade de auxílio externo.

Diante desta história, é muito justo reconhecer Santos Dumont como o pai da aviação. Há a polêmica em relação aos irmãos Wright que afirmaram ter conseguido voar em 1903, mas não tem registros. E mesmo assim, tiveram que utilizar uma catapulta para decolar… não vale… Voar mesmo, decolar e sair do chão de modo autônomo, quem fez isto foi Santos Dumont, em público e com registros, depois de uma longa jornada de projetos, investigações e testes. Aqui, contei somente uma parte, vale a pena conhecer a história em detalhes.
Uma boa invenção, assim como qualquer grande conquista, demanda tempo, esforço, dedicação, perseverança e desenvolvimento contínuo.
Para todos os que estão nesta jornada, desejo sucesso.
Um abraço!
Nilce
Referências:
1. https://infograficos.estadao.com.br/…/capitulo-2.php.
2. https://www.airway.com.br/conheca-as-maquinas-voadoras…/.
3. https://pt.wikipedia.org/wiki/Santos_Dumont.
4. https://museudoamanha.org.br/…/conheca-22-maquinas….
5. https://periodicos.uninove.br/exacta/article/view/643/612.
Parabéns 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻
Obrigada, fico contente que tenha gostado!